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quinta-feira, 27 de novembro de 2014


Madeira ilegal da Amazônia, pássaros e gaiolas apreendidos em Sertânia

Publicação: 27/11/2014 08:58 Atualização: 27/11/2014 10:15

Foto: CPRH/ Divulgação
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) divulgou nesta quinta-feira o resultado de uma operação realizada em parceria com a Policia Rodoviária Federal (PRF) no dia 21 deste mês, sexta-feira da semana passada. Um caminhão carregado de madeira foi apreendido no município de Sertânia, sertão de Pernambuco. 

O veículo partiu do estado do Pará com destino ao município de Gravatá, no Agreste, com uma carga excedente de 14 metros cúbicos de madeira do tipo massaranduba, espécie nativa da floresta amazônica. Após pesagem da PRF, foi constatado que em vez de transportar 23 metros, o caminhão continha 37 metros cúbicos da espécie. 

A madeira foi encaminhada para Instituto Agronômico de Pernambuco (Ipa) de Arcoverde, que aguarda formalização de doação. O veículo foi apreendido e o dono da serraria que comercializou a madeira foi multado em R$ 11 mil.

Foto: CPRH/ Divulgação
Foto: CPRH/ Divulgação

Também no município de Sertânia, a equipe de fiscalização da CPRH autuou uma fábrica de gaiolas e alçapões que funcionava sem licença ambiental. Foram recolhidas quatro gaiolas de campo e 22 alçapões. De acordo com o chefe de fiscalização florestal da CPRH, Thiago costa Lima, a apreensão evitou que muitos animais fossem capturados.

No local, ainda foram encontrados 13 pássaros das espécies concriz, azulão, patativa, salta - caminho, caboclinho e papa capim, prontos para comercialização. A fábrica foi embargada, multada em R$ 6.500 e teve os pássaros apreendidos. A operação ainda contou com a apreensão de outros 33 pássaros que foram recolhidos em sítios da zona rural do município. O animais também foram recolhidos pela CPRH.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O desmatamento da Amazônia aumentou 191% em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém.
Hebert Rondon/ Ibama

Especialista pede no Le Monde “esforço de guerra” para reflorestar Amazônia


Adriana Brandão
O jornal Le Monde, que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (25), traz uma entrevista alarmante com o agrônomo brasileiro Donato Nobre, apresentado como um dos “melhores especialistas do clima e do ecossistema da Amazônia”. Neste momento em que a seca recorde e a crise hídrica afeta o Brasil, e principalmente o estado de São Paulo, o pesquisador revela o impacto do desmatamento no ciclo das chuvas e pede um “esforço de guerra” para reflorestar a região amazônica.

O agrônomo Donato Nobre começa sua entrevista lembrando os números “monstruosos” do desmatamento da floresta brasileira, publicados no relatório “O futuro climático da Amazônia”. Nos últimos 40 anos: 763.000 km2 foram destruídos, o que equivale a duas vezes a superfície da Alemanha. Para dramatizar ainda mais a destruição, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), pede aos leitores do Le Monde para imaginar um trator com uma serra de três metros de largura trabalhando a uma velocidade de 756/h, sem parar, durante 40 anos. “Uma espécie de máquina do fim do mundo”.
Segundo as estimativas, neste período foram cortadas 42 bilhões de árvores. Essa é a parte visível da destruição. Donato Nobre adverte também para as áreas da floresta que estão degradadas e que as fotos feitas por satélites não mostram. A degradação é estimada em 1,3 milhão de km2, que adicionado ao espaço já desmatado atinge 2 milhões de km2, isto é, 40% da floresta amazônica.

Grito de alerta

Cada árvore cortada na Amazônia tem um impacto no clima, garante o especialista. Ele explica que a floresta brasileira é uma “usina de serviço ambiental” porque cada grande árvore da região emite na atmosfera mais de 1.000 litros de água por dia.
Pelos cálculos do INPE, a Amazônia inteira emite 20 bilhões de litros por dia, formando “rios aéreos” que ela exporta as outras regiões do país. Sem a ajuda da floresta, “essas regiões produtoras agrícolas poderiam ter um clima quase deserto”, afirma Donato Nobre. “Não sou contra a agricultura, mas que tipo de produção agrícola podemos ter sem água?”, indaga.

Abismo climático

As mudanças climáticas e o aquecimento global não são mais uma previsão científica, mas uma dura realidade. Existem provas que a crise climática está ligada ao desmatamento da Amazônia, que voltou a crescer após a entrada em vigor do novo código florestal brasileiro, afirma o agrônomo ao vespertino francês.
Ele pede no Le Monde um esforço mundial, como o realizado durante a crise financeira de 2008, para evitar o “abismo climático”. Segundo Donato Nobre, o desmatamento zero não é mais suficiente. É necessário agora replantar o que foi cortado. Para reflorestar a Amazônia são necessários US$ 7 bilhões. “Uma gota de água para a economia mundial”, compara.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014



Imagem de 14 de outubro deste ano mostra árvore solitária em área devastada pelo desmatamento ilegal na área de floresta amazônica no estado do Pará (Foto: Raphael Alves/AFP)
         Área de floresta amazônica no estado do Pará (Foto: Raphael Alves/AFP)

             O Levantamento não-oficial de desmatamento feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém, apontou nova alta na devastação da floresta amazônica em relação ao ano passado. O SAD, como se chama esse monitoramento independente, detectou 244 km² de desmatamento na Amazônia Legal em outubro de 2014. Isso representou um aumento de 467% em relação a outubro de 2013, quando o desmatamento somou 43 km².
O Imazon destacou que, por cusa da cobertura de nuvens, foi possível monitorar 72% da área florestal na Amazônia Legal enquanto que em outubro de 2013 o monitoramento cobriu uma área menor (69%) do território.
Em outubro de 2014, o desmatamento se concentrou em Rondônia (27%), Mato Grosso (23%), seguido pelo Pará (22%) e Amazonas (13%), com menor ocorrência em Roraima (9%), Acre (5%) e Amapá (1%).
As florestas degradadas (parcialmente destruidas) na Amazônia Legal somaram 468 quilômetros quadrados em outubro de 2014. Em relação a outubro de 2013 houve um aumento de 1.070%, quando a degradação florestal somou 40 quilômetros quadrados.
O SAD do Imazon já havia indica aumento de 191% em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013. Em termos absolutos, naqueles meses, a alta foi de 288 km² para 838 km².