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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015



Consumo

Empresa vai extrair água do ar da Amazônia.

Garrafinha de 250 ml da Ô Amazon Air Water custará € 6,5 (cerca de R$ 20). Cerca de 95% da produção será destinada a mercado de luxo na Europa.

Água é produzida a partir de geradores, que condensam umidade do ar da floresta
Água é produzida a partir de geradores, que condensam umidade do ar da floresta (Divulgação)
O 'raio gourmetizador', como brincam os usuários das redes sociais com a moda dos produtos cercados por cuidados mercadológicos, terá a partir de março uma pequena, mas já ilustre participante: uma marca de água mineral retirada não de debaixo da terra, mas da atmosfera da floresta amazônica. A Ô Amazon Air Water, de 250 ml, terá preço sugerido de aproximadamente 20 reais, ou para ser preciso, 6,5 euros.
Isso porque 95% da produção terá como destino o mercado europeu, onde será distribuído para 200 pontos de venda de luxo, como o hotel Four Seasons de Lisboa. Os 5% restantes serão reservados para o consumidor brasileiro, vendidos em um e-commerce da marca e por uma flagship store, ou loja conceito, prevista para ser anunciada em julho e, certamente, ocupando um endereço chique da cidade de São Paulo, como o Jardim Europa, por exemplo.
Um grupo formado por quatro empresários brasileiros é responsável pela ideia. Já experimentados no empreendedorismo, eles aportaram 20 milhões de reais na empresa A2BR, que abriga a marca Ô Amazon. Outros 10 milhões de reais estão previstos para os próximos 12 meses, dinheiro destinado para o início da produção (na segunda quinzena de março), estratégias de marketing e comunicação, além do subsídio ao mercado na primeira leva a ser exportada.
"Nossa estratégia de abordagem de mercado é financiar a primeira compra do nosso cliente", diz o sócio Cal Junior, que em dez anos estima um retorno de 100 milhões em lucros. "A ideia por trás dessa estratégia é selecionar nossos revendedores", acrescenta. 
Instalados em uma casa com perfil de sede de startup na cidade de São Paulo, os quatro empresários mantêm um parque fabril de 1,75 milhão de metros quadrados às margens do Rio Negro, na Amazônia. É lá, no espaço concedido por 30 anos pela prefeitura de Barcelos, que eles instalaram duas máquinas que se parecem com grandes geradores de eletricidade, e que serão responsáveis por condensar a umidade do ar da floresta, fazendo a água passar por filtros e equipamentos de mineralização.
Potencial - O processo é similar ao do aparelho de ar-condicionado, que desumidifica o ar e, em seguida, devolve o ar refrigerado, eliminando a água. Nesse caso, como o objetivo não é a climatização do ambiente, e sim gerar água potável, todo o potencial da máquina está voltado para o desempenho de condensação e posteriores filtragem, mineralização e engarrafamento. Uma simples máquina, feita com exclusividade na China, é capaz de produzir 5 mil litros de água por dia.
"As pessoas nos perguntam qual será o impacto da produção na Amazônia e eu digo que é zero. É como tirar um copo de água de uma piscina olímpica, sendo que durante a noite, a natureza trata de restituir a perda", afirma o sócio e diretor financeiro do negócio, Ricardo Rozgrin. "Vai ser a água de luxo mais exclusiva do mundo", diz Cal Júnior, outro sócio. 
Com embalagem de vidro e uma tampa com resina de amido de milho, repleta de sementes, a proposta é que o cliente depois plante a tampa e compartilhe a informação com a marca e demais consumidores por meio de um aplicativo para smartphones. "Nosso projeto é totalmente sustentável, da embalagem de vidro à energia elétrica da fábrica, 100% solar", afirma Cal.
(Com Estadão Conteúdo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

26/11/2014 - 22:18

Meio ambiente

Amazônia: dados oficiais mostram que desmatamento caiu.

Mapeamento entre agosto de 2013 e julho de 2014 aponta queda de 18%, diz um dos sistemas do Inpe. Mas nos meses seguintes outros sistemas indicam aumento de até 467% em outubro na comparação com o mesmo mês em 2013.

Floresta amazônica, em Santa Rosa do Purus
Floresta amazônica, em Santa Rosa do Purus (Folhapress)
O desmatamento caiu 18% na Amazônia Legal entre agosto de 2013 e julho de 2014 na comparação com o mesmo período no ano anterior, apontam dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado do mapeamento de 2014 apresentou taxa de 4.848 quilômetros quadrados desmatados, comparados a 5.891 quilômetros quadrados do período anterior.
Os números são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), sistema do Inpe que computa como desmatamento as áreas maiores que 6,25 hectares onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – o chamado corte raso. A taxa de desmatamento, segundo o governo, foi obtida após o mapeamento de 89 imagens de satélite.
Os dados do Prodes contradizem a estimativa divulgada em setembro pelo Inpe de que o desmatamento havia crescido 9,8% na Amazônia no mesmo período, entre agosto de 2013 e julho de 2014. Essa informação, porém, veio do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), também utilizado pelo Inpe, mas com uma função diferente do Prodes por ser menos preciso em suas medições.
"O Deter tem uma resolução espacial muito mais grosseira, não mede o total de área desmatada, apenas dá um alerta. Por isso seus resultados saem antes, ele exige menor capacidade de processamento", explica Marco Lentini, engenheiro florestal e coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil. Os dados do Prodes são considerados os oficiais neste assunto, enquanto o Deter ajuda a tomar decisões rápidas de controle de desmatamento. 
Este último sistema também costuma apontar tendências. E se considerados os dados dos meses imediatamente seguintes ao período computado pelo governo, as perspectivas não são otimistas. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o Deter aponta aumento de 122% no desmatamento na Amazônia no intervalo entre agosto e setembro deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado. 
Dados do sistema independente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) também confirmam a expectativa ruim. Comparando os meses de setembro e outubro deste ano com os mesmos meses de 2013, os resultados encontrados são alarmantes: o desmatamento cresceu 290% e 467%, respectivamente. "A tendência para o ano que vem vai começar a ser analisada agora, mas parece haver um aumento grande de 2014 em relação a 2013", diz o engenheiro Marco Lentini.
Regeneração  — O Inpe divulgou também que mais de 172.000 quilômetros quadrados de área desmatada na Amazônia Legal estão em processo de regeneração. Os dados fazem parte do TerraClass 2012, levantamento feito pelo Instituto e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para o TerraClass 2012 foram mapeados 751 quilômetros quadrados, o total de desmatamento monitorado desde 1988, o que representa 18,5% da área da Amazônia.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou que, desse total, 113.000 quilômetros quadrados se mantiveram em regeneração no período de 2008 a 2012. “Isso significa que temos mais floresta em regeneração do que está sendo retirado”, disse ela, explicando que no mesmo período foram desmatados cerca de 44,2 mil quilômetros quadrados na Amazônia Legal, segundo dados do Prodes.
A avaliação divulgada nesta quarta pelo Inpe representa a segunda menor taxa de desmatamento na Amazônia desde que o instituto começou a fazer a medição, em 1988, com o Prodes. A menor taxa foi registrada em 2012, quando foram desmatados 4.571 quilômetros quadrados. Os estados que mais desmataram no último período foram o Pará, com 1.829 quilômetros quadrados; o Mato Grosso, 1.048 quilômetros quadrados; e Rondônia, com 668 quilômetros quadrados. Entre 2013 e 2014, o Acre desmatou 312 quilômetros quadrados; Amazonas, 464 quilômetros quadrados; Maranhão, 246 quilômetros quadrados; Roraima, 233 quilômetros quadrados; e Tocantins, 48 quilômetros quadrados.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

ENERGIA

DEMANDA DE ENERGIA.

Apetite global por energia subirá 56%   até   2040.

Apesar do aumento das fontes renováveis, relatório da AIE - Agência Internacional de Energia prevê que os combustíveis fósseis continuarão a garantir quase 80% da demanda.

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Vanessa Barbosa - Exame.com - 25/07/2013
Spreng Ben/Creative Commons
O consumo mundial de energia vai crescer 56% até 2040, prevê um novo relatório AIE - Agência Internacional de Energia, divulgado nesta quinta-feira. A maior parte desse incremento virá de países de fora da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, onde oapetite energético é estimulado pelo rápido crescimento econômico, como China, Índia, Brasil e África do Sul.

Apesar das energias renováveis e nuclear serem as fontes que mais crescem no mundo, com expansão de 2,5% por ano, o documento IEO2013 - International Energy Outlook 2013 estima que os combustíveis fósseiscontinuarão a fornecer cerca de 80% da demanda mundial nos próximos trinta anos.

Nessa seara, o gás natural é o combustível fóssil que mais cresce, a uma taxa de 1,7% ao ano. Segundo a agência, o aumento da oferta de gás natural, incluindo de xisto (veja as maires reservas de gás de xisto), ajudarão a atender a alta da demanda.

Para o carvão, o relatório prevê crescimento maior do que o de petróleo e outros combustíveis líquidos, pelo menos até 2030, principalmente devido ao aumento no consumo da China. O setor industrial continuará a representar a maior fatia do consumo de energia, recebendo metade da energia total entregue em 2040.

DISPARADA NAS EMISSÕES
O crescimento econômico das nações em desenvolvimento, alimentado por uma dependência contínua de combustíveis fósseis, será responsável por um salto relevante nas emissões de gases efeito estufa.

Levando em conta as políticas e normas vigentes que regem o uso de combustíveis fósseis, as emissões de carbono associadas à geração e consumo de energia em todo o mundo deverão aumentar em 46% nos próximos 30 anos, em relação às emissões de 2010.

Como o mundo ainda se recupera dos efeitos da recessão global de 2008-2009, a AIE sublinha que muitas das questões econômicas ainda não resolvidas acrescentam um fator de incerteza à avaliação de longo prazo dos mercados energéticos mundiais.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ENERGIA

SEU BOLSO

Gerar energia solar em casa pode ser um bom negócio.

Energia solar em casa hoje permite que não se tenha que pagar nada na conta de luz no fim do mês e até ficar com crédito com a distribuidora de energia. Veja como

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Você já pensou em receber a conta de luz no fim do mês e não ter de pagar nada pela energia usada durante o mês? Melhor: já imaginou ter crédito com as companhias de energia? Pois as medidas adotadas pela Aneel na resolução 482, publicada no ano passado, são um grande passo para que isso aconteça. De acordo com as novas regras, além da regulamentação da produção de energia solar no país, há agora o sistema de compensação de créditos a favor do consumidor, o que viabiliza economicamente os sistemas de energia solar.

"É algo bastante simples. Toda energia gerada durante o dia pelo sistema de eletricidade solar será usada pelos eletrodomésticos e demais equipamentos que estão consumindo energia naquele momento. Mas se houver excedente de energia, esta quantidade será exportada para a rede da distribuidora, que retornará a energia em forma de crédito na conta do consumidor", explica Jonas Gazoli, diretor da empresa Eudora Solar.

O crédito pode ser usado por 36 meses, inclusive em outras instalações do próprio consumidor, sendo usada durante a noite ou em dias de chuva, por exemplo, quando o sistema solar não está produzindo energia na ausência do astro-rei.

"Esse sistema permite que o consumidor tenha contabilizada a geração de energia mesmo quando não estiver usando. Na prática, ele se torna um produtor de energia em alguns momentos do dia, quando o consumo é baixo ou não há consumo", diz Marcelo Gradella Villalva, pesquisador e professor da Unesp.

Como é mais comum as pessoas não estarem em casa durante o dia, o sistema de compensação faz com que, no final do mês, toda a energia produzida seja descontada na conta de luz, resultando em uma economia que pode chegar a 100%.

VÁLIDA PARA TODO MUNDO
A medida é tão favorável que até mesmo universidades estão fazendo uso de eletricidade solar visando a redução nos gastos.

É o caso, por exemplo, da Fumec BH (MG), que agora conta com o sistema implantado pelo engenheiro e professor da instituição Virgilio Medeiros.

"Como sou professor da disciplina energia solar, fiz com que o projeto fotovoltaico tivesse a participação dos alunos e do corpo técnico da escola para desenvolvimento de competências dentro da faculdade", conta.

Mas se você gostou da ideia, não desanime, pois essa também é uma ótima medida para residências. "Já que toda energia gerada pelos painéis solares deixa de ser buscada na concessionária local de energia, o sistema fotovoltaico gera uma economia imediata na conta de energia elétrica", salienta Luis Felipe Lima, proprietário da empresa Minha Casa Solar.

A conclusão é que energia solar, além de limpa por não consumir recursos naturais, é um bom negócio.

"Nossa tarifa de energia é cara e os reajustes são anuais por causa da inflação. Apesar de o governo estar tentando baixá-las, ela vai continuar custando caro. Assim, quando você instala um sistema solar fotovoltaico, na verdade está comprando antecipadamente a energia elétrica que vai consumir durante os próximos 30 anos", afirma Marcelo Villalva, da Unesp.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015


ENERGIA

ENERGIA   SUJA.

Energia de hoje é tão suja quanto há 20 anos.

Relatório da Agência Internacional da Energia indica que esforço para limpar a matriz energética mundial está estagnado - o que enfraquece a luta contra o aquecimento global.

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Vanessa Barbosa
Exame.com - 18/04/2013
Getty Image
Constrate: aumento do uso de fontes fósseis, como carvão, anula benefícios das renováveis
O desenvolvimento mundial das tecnologias de energia limpa continua bem abaixo do nível necessário para evitar os piores impactos das mudanças climáticas, advertiu aAIE - Agência Internacional de Energia, em seu relatório anual sobre o progresso defontes limpas, divulgado nesta quarta-feira.
Com a predominância do carvão na geração de energia global, especialmente nos países emergentes, como China e Índia, parece cada vez mais improvável que a meta internacional para limitar o aumento da temperaturamédia em 2 º C seja atendida, sugere o estudo.

"O esforço para limpar o sistema de energia está estagnado", afirmou o diretor executivo da entidade Maria van der Hoeven. "Apesar de muita conversa com os líderes mundiais, e apesar do boom das energias renováveis ao longo da última década, a unidade média de energia produzida hoje é basicamente tão suja como era 20 anos atrás".

Para ilustrar essa inércia, o relatório Tracking Clean Energy Progress (Rastreando o Progresso da Energia Limpa) apresenta um índice de intensidade de carbono do setor de energia (ESCII), que mostra o quanto de dióxido de carbono é emitido, em média, para fornecer uma determinada unidade de energia. Em 1990, o ESCII ficou em 2,39 toneladas de CO2 por tonelada de óleo equivalente (tCO2/tep). Vinte anos depois, em 2010, este índice manteve-se em 2,37 tCO2/tep.

Como resultado, o relatório calcula a quantidade de CO2 emitida por cada unidade de fornecimento de energia caiu em menos de um por cento a partir de 1990. Na prática, os investimentos bilionários já realizados em prol de tecnologias mais limpas está sendo anulado pelo crescimento do uso de fontes sujas.

Para se ter uma ideia do descompasso, enquanto a geração de combustível não-fóssil cresceu cerca de um quarto entre 2000 e 2010, o aumento da geração a partir do carvão no mesmo período foi de 45%.