Pesquise assuntos de seu interesse.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

AMBIENTE

FINITA E INSUBSTITUÍVEL.

Não basta ter, precisa ser limpa.

A água é fundamental para a existência e a manutenção da vida. Mesmo assim, é desperdiçada e poluída, sem o menor cuidado, como se não precisássemos tanto dela

-  A  A  +
David Villa/Creative Commons

Leia também

*Este texto faz parte do Especial Água; veja os outros textos que integram este especial no box ao lado.

A vida só existe na Terra por haver aquiágua líquida em abundância. Estamos em uma privilegiada posição no nosso sistema estelar, numa área conhecida como "zona habitável". O planeta fica na distância ideal de sua estrela, o Sol, para que moléculas de H2O permaneçam em estado líquido (nem perto demais que todas evaporem, nem longe demais que congelem). 

A biologia acredita que não há vida, pelo menos não tal qual a conhecemos, sem esse elemento. Por isso, astrofísicos buscam por água líquida no universo, indicação de algum tipo de organismo vivo. A água é fundamental em processos de sobrevivência, como a fotossíntese e a conversão de alimento em energia. No corpo de humanos, representa cerca de 60% da composição. Mesmo sabendo do crucial papel da água para existirmos, temos desperdiçado esse bem precioso, sem cuidado. É uma atitude irresponsável, atalho para cenários catastróficos.

Diz o engenheiro Brian McCallum, diretor da organização Pesquisa Geológica dos Estados Unidos: "Olhamos para os oceanos e temos a impressão de abundância. Só que é uma ilusão". Bem menos de 1% de toda a água do mundo é potável e de fácil acesso. Se depositássemos em um copo as reservas salgadas e doces, o que realmente aproveitaríamos se limitaria a uma gota de água. E ainda tratamos com desdém o que temos.

Uma pesquisa da WWF, o Fundo Mundial para a Natureza, mostrou que, entre os brasileiros, 95% dizem conhecer como se poupa o líquido, com banhos mais rápidos e mais espaçamento na lavagem de carros. E, no entanto, 48% nada fazem para gastar menos. Outros 68% veem no desperdício a causa de racionamentos. É o velho "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".

Além de desperdiçarmos, somos descuidados com o que possuímos. Levantamentos da ONU evidenciam que 1.500 quilômetros cúbicos de água são poluídos todos os anos, seis vezes o que se tem armazenado em todos os rios. A cada dia, 2 milhões de toneladas de lixo são descartadas em reservas. 

A China, que concentra 7% dos recursos hídricos do mundo, inutilizou, pela poluição e pela falta de planejamento no abastecimento, metade de seus rios. Além de afetar o estoque, a poluição ameaça a natureza. Animais terrestres e marinhos são suscetíveis à baixa de qualidade de lagos, rios e mares. A situação se agrava para os que vivem em água doce, naturalmente mais vulneráveis.

A boa notícia é que há solução, e ela envolve duas mudanças: uma em políticas públicas; a outra em hábitos cotidianos — e as duas precisam estar de mãos dadas. O Banco Mundial estima que 32 trilhões de litros são perdidos em tubulações precárias anualmente. Sistemas de irrigação ultrapassados fazem com que 50% da água utilizada na agricultura seja desperdiçada. A rede de distribuição de companhias de saneamento pode ser aprimorada. Na agricultura, o ideal é adotar a técnica de gotejamento, utilizada em países como Israel, pela qual se aplica cada gota de água diretamente na raiz da planta.

Em casa, espera-se por uma transformação de costumes. Em cinco décadas, o consumo foi multiplicado por seis. A ONU recomenda que cada pessoa gaste 55 litros por dia, mas um americano médio usa dez vezes isso. A adoção de eletrodomésticos modernos aliviaria a situação. Pesquisadores ingleses desenvolveram uma lavadora de roupas que utiliza um copo de água, em vez de 120 litros. Não deixar torneiras pingando economiza 130 litros ao dia. 

A compreensão de que a água é finita, e insubstituível, pode soar banal — mas é o caminho mais rápido e barato de preservação de um recurso fundamental à vida.

RESERVATÓRIO DE INFORMAÇÃO
Longe de interessar somente a especialistas, o debate acerca da crise da água diz respeito a qualquer pessoa. Mas, para acompanhá-lo, claro, é preciso estar informado sobre a questão. Assim, é oportuno o lançamento da nova edição, revista e atualizada, de Como Cuidar da Nossa Água (144 páginas, 55 reais), resultado de uma parceria entre a Be Editora e o Arq. Futuro, fórum de discussões sobre arquitetura e urbanismo, que neste ano aborda o tema.

Escrita em uma linguagem acessível, sem prejuízo da precisão do conteúdo, a obra não dá conta somente de explicar as razões da crescente escassez dos recursos hídricos— atribuída sobretudo ao crescimento populacional, à poluição, ao desmatamento, ao desperdício e às alterações climáticas. No livro, o leitor encontra também dados sobre a disponibilidade de água doce no mundo; explicações relativas às doenças que nela proliferam, como a dengue; informações a respeito da legislação vigente no país; orientações para a redução do consumo; e caminhos para solucionar os impasses gerados pelo problema.

Nenhuma das saídas apresentadas deixa de lado o uso consciente daquele que, mais do que nunca, pode ser chamado de "precioso líquido". Além disso, a obra lista providências acessíveis a qualquer cidadão, como esta: "Economize energia — lembre-se de que no Brasil, onde a matriz energética são as usinas hidrelétricas, isso significa poupar água".

...É DESPERDIÇADO AOS MONTES
Clique aqui e confira no infográfico quanto desperdiçamos diariamente deste recurso natural tão vital para a vida humana no planeta.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

AMBIENTE

AQUECIMENTO GLOBAL

Estamos todos ilhados.

Seja pelo excesso de calor ou pelas enchentes.  Não temos saída para o clima. Os eventos extremos parecem estar se tornando uma realidade no Brasil.

-  A  A  +
Ilustração Raul Aguiar/Superinteressante

Estas informações fazem parte do infográfico produzido pela revista Superinteressante, que - junto com os infográficos Desmatamento e degradação e Nossa água vem da Amazônia  - integra a reportagem O Brasil secou. Para conferi-lo em formato de infográfico, clique aqui.
O Brasil viveu em 2014 uma das piores crises de estiagem da história do país. Acompanhe abaixo a situação alarmante em que ainda se encontram as principais regiões brasileiras:

CALOR EXCESSIVO

Uma bolha quente se instalou no começo do ano, sobre o Sudeste, região mais urbanizada do país. Esse fenômeno gera padrões de bloqueio que afastam as chuvas, ao impedir a entrada dos rios voadores e das frentes frias do Sul.

CENTROS URBANOS E O AR POLUÍDO

As cidades também sofrem com a poluição. No Parque do Ibirapuera (SP), a concentração de ozônio* é maior do que em uma área de queimadas. Faz mal à saúde. Na Amazônia virgem, a concentração é dez vezes menor.

O CÉU DESABOU
Os pontos que estavam em volta dessa bolha quente sofreram com excesso de chuvas no começo do ano. A Bolívia decretou situação de emergência após as enchentes deixarem 58 mil famílias desabrigadas e mais de 50 mortos. No Paraguai, foram mais de 10 mil desabrigados.

O FUTURO É QUENTE 

O relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas aponta que, em 2100, a temperatura média do Brasil será mais alta do que no fim do século 20. As chuvas vão aumentar e diminuir, dependendo da região.

- A temperatura média do Brasil pode aumentar até 6ºC
- A Amazônia e caatinga devem receber cerca de 40% menos chuva
- Já nas pampas, a chuva pode aumentar 30%
Ilustração Raul Aguiar/Superinteressante
SECAMOS MUITO ALÉM DO LIMITE 
Este mapa, de setembro de 2014, mostra o déficit de chuvas acumulado ao longo do ano. Várias áreas do país já apresentam seca excepcional, com destaque para o Sudeste e o Norte

* Valor máximo de ozônio concentrado em uma hora. Ibirapuera: 227 μg/m³, área de queimadas: 200 μg/m³ e mata virgem: 20 μg/m³. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 140 μg/m³ é o limite para não fazer mal à saúde.

Fontes: Agência Nacional de Águas, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Instituto Nacional de Pesquisas da Espaciais, Naturalis Biodiversity Center, O Futuro Climático da Amazônia (Antonio Donato Nobre, INPE), Patricia Bulbovas (USP).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015


AMBIENTE

RIOS VOADORES

Nossa água vem da Amazônia

A chuva em várias regiões do país depende da preservação da Floresta Amazônica. Ela é responsável pela produção do vapor d’água, que em nuvens viaja por todo o território brasileiro

-  A  A  +
Ilustração Raul Aguiar/Superinteressante

Estas informações fazem parte do infográfico produzido pela revista Superinteressante, que - junto com os infográficos Desmatamento e degradação e Estamos ilhados - integra a reportagem O Brasil secou. Para conferi-lo em formato de infográfico, clique aqui.
Entenda o processo de transpiração da floresta e à formação das nuvens sobre ela. Abaixo, conheça o percurso dos rios voadores e como eles levam chuvas por todo o continente:
Ilustração Raul Aguiar/Superinteressante
1. A chuva penetra no permeável solo florestal e fica armazenada em sua parte porosa, ou escorre até os aquí¬feros subterrâneos gigantescos.
2. A água é absorvida pelas raízes, que podem ter até 20m de profundidade, e levada pelos xilemas, espécie de artérias que transportam a seiva bruta para cima.
3. Por fim, passa pelas estruturas evapo¬radoras das folhas, que funcionam como painéis solares químicos, capazes de absorver a energia do sol para transpirar.
4. Além de água, as folhas liberam compostos orgânicos, que oxidam e precipitam, formando uma poeira finíssima. Essa poeira funciona como núcleo para condensação das nuvens.

OS RIOS VOADORES
Guiados pelo vento, els se chocam contra a Cordilheira dos Andes, fazem a curva no Acre e rumam para o Centro-Sul do país, indo até a Argentina
1. Os ventos úmidos do oceano entram na Amazônia, atraídos pela baixa pressão atmosférica, especialmente no verão. Formam um imenso reservatório de água no céu, que dá origem aos rios voadores.
2. Os rios voadores, guiados pelo vento se chocam contra a Cordilheira dos Andes, fazem a curva no Acre e rumam para o Centro-Sul do país, indo até a Argentina.
3. Essas chuvas de verão impedem que tenhamos um deserto no Brasil. Nesta mesma área tropical do mapa, há desertos em todos os continentes, como o Saara, o da Namíbia e o da Austrália.

DADOS E NÚMEROS DOS RIOS VOADORES 
- 20 trilhões de litros de água é o quanto a Amazônia transpira por dia. Equivale a 8 mil piscinas olím¬picas. Cada árvore pode transpirar até 1 mil litros diários;
- A umidade da floresta faz uma trajetória de mais de 3 mil km;
- Mágica no ar: a poeira que existe na atmosfera amazônica é rica em compostos orgânicos voláteis, que são liberados pelas folhas. Eles atuam no crescimento, reprodução e defesa da planta, mas também têm muita influência na atmosfera. Auxiliam na formação de nuvens e no controle do clima;
- Comparativo de quantidade de água transportada: Rios voadores x outros rios brasileiros:
Rios voadores: 3.200m³/s
Rio São Francisco: 2.800 m³/s
Rio Paraíba do Sul: 1.120m³/s

Fontes Agência Nacional de Águas, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Instituto Nacional de Pesquisas da Espaciais, Naturalis Biodiversity Center, O Futuro Climático da Amazônia (Antonio Donato Nobre, INPE), Patricia Bulbovas (USP).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015



AMBIENTE

FLORESTA NO CHÃO.

Desmatamento e degradação

No Brasil, praticamente metade da floresta amazônica original já foi atingida. E o pior: boa parte da área desmatada foi abandonada.

-  A  A  +
Ilustração Raul Aguiar/Superinteressante

Estas informações fazem parte do infográfico produzido pela revista Superinteressante, que – junto com os infográficos Nossa água vem da Amazônia e Estamos ilhados  - integra a reportagem O Brasil secou. Para conferi-lo em formato de infográfico, clique aqui.


MÃE NATUREZA

Em 2005 e 2010, a Amazônia sofreu graves secas. Paradoxalmente, as árvores enviaram mais água à atmosfera. Elas foram buscar água nos lençóis freáticos, e trabalharam ainda mais para compensar o clima.

EFEITO QUEIMADA
Quando o solo da floresta seca além do limite, se torna inflamável. Até o fogo mais baixo consegue adentrar a mata, queimando as raízes superficiais e matando as árvores. Este trecho da floresta se torna degradado. O desmatado sofreu uma ação direta de derrubada.

PASTO E PLANTIO

O cultivo de soja e a criação de gado são os maiores causadores do desmatamento. 70% da área desmatada deu origem a pasto.

- Mais de 60% da Amazônia é brasileira. O restante da floresta está no Peru, Colômbia, Guiana e Suriname.
- 50 milhões de anos é a idade da floresta original
- Na Amazônia existem mais de 16 mil espécies de árvores. 11 mil são consideradas raras
- Em 40 anos, desmatamos 763 mil km². É como se, com uma motosserra, tivéssemos exterminado todo o território do Chile – e mais um pouco
- 24 bilhões foi o número de árvores exterminadas nos últimos 40 anos. Mais de 200 por cada brasileiro. Se olharmos em escala mundial, já desmatamos 6 árvores para cada habitante do planeta
- Dos 763 mil km2 de terras desmatadas, 16% estão abandonadas ou subutilizadas, por terem se tornado improdutivas.

Fontes: Agência Nacional de Águas, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Instituto Nacional de Pesquisas da Espaciais, Naturalis Biodiversity Center, O Futuro Climático da Amazônia (Antonio Donato Nobre, INPE), Patricia Bulbovas (USP).