O DESFLORESTAMENTO NO BRASIL
Alta no desmatamento mostra que política de controle ficou obsoleta
Foram desmatados 838 quilômetros quadrados em agosto e setembro deste ano
MARINA ROSSI São Paulo 12 NOV 2014 - 10:00 BRST
Madeira de desmatamento da Amazônia. / WILSON DIAS (AGÊNCIA BRASIL)
O Brasil parecia ter tomado o rumo certo para reduzir o desmatamento da que é considerada o pulmão do planeta, a floresta Amazônica. Dos 27.772 quilômetros quadrados que haviam sido desmatados em 2004, o número caiu para 4.571 quilômetros em 2012, pela ação do Governo para coibir as práticas ilegais. Mas,desde então, em 2013, foram desmatados 5.891 quilômetros quadrados de floresta.
E os dois primeiros meses deste novo 'ano fiscal' - como é chamado o período em que se calcula o desflorestamento, tendo início em agosto e indo até julho do ano seguinte - indicam que a rota da fiscalização precisará ser corrigida. Só em agosto e setembro deste ano, o desmatamento aumentou 191%, comparado ao mesmo período do ano passado. No total, foram desmatados 838 quilômetros quadrados no período.
Os dados são do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que monitora, mês a mês, o desmatamento no Brasil. De acordo com o pesquisador sênior do Instituto, Beto Veríssimo, os números chamam a atenção porque podem ser uma prévia negativa de como poderá encerrar o ano fiscal 2013-2014. “A minha percepção é que esses dois últimos anos apresentarão uma mudança [de tendência]”, diz, se referindo às taxas de desmatamento que vinham caindo sucessivamente nos últimos dez anos.
Com esse aumento, e a perspectiva de que essa tendência de crescimento permaneça neste ano – os dados referentes ao ano fiscal 2013-2014 ainda não foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável por esse cálculo – há estudos internacionais apontando para um esgotamento na política de combate ao desmatamento. A revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos publicou no fim de outubro um estudo que sugere mudanças no enfrentamento do problema.
MAIS INFORMAÇÕES
- Dilma destaca avanço na área ambiental, mas esconde aumento de desmatamento
- O pó de fadas da Amazônia
- Alerta de catástrofe
- Mudança climática ameaça deixar impactos irreversíveis
- Grandes proprietários, a causa do desflorestamento na Amazônia
- Crise da água em São Paulo chega ao Palácio do Planalto
- A Polícia Federal desmonta a “maior quadrilha de destruidores” da Amazônia
- As mortes na Amazônia revelam a dimensão do desmatamento no Peru
- Brasil é responsável por metade das mortes de ambientalistas
Segundo a publicação, as grandes propriedades, embora ainda sejam as que mais desmatam, conseguiram, por outro lado, controlar mais o desmatamento do que as propriedades pequenas. Isso porque, a política adotada pelo Governo é baseada em monitorar, por meio de satélites, fiscalizar e punir. E é mais fácil ter acesso e controle das grandes propriedades do que às pequenas.
Para Beto Veríssimo, do Imazon, há um “coquetel de fatores que definem” o aumento do desmatamento. Segundo ele, a especulação de florestas públicas e a dificuldade de fiscalização do Governo se somam ao processo de invasão, ao desmatamento por grileiros e ao desmatamento associado à expansão da área agrícola. Esta última, uma consequência das obras de infraestrutura realizadas pelo Governo nos últimos anos nas áreas que compreendem a Amazônia Legal.
Segundo o pesquisador, o tamanho do quadrilátero que compreende a Amazônia Legal dificulta um controle maior dos grileiros, invasores de um terreno público ou de terceiros que falsificam a documentação do local e o vendem. Esse crime constitui o problema principal. “[A Amazônia Legal] é um território sob grilagem que é quase duas vezes a Espanha.”, diz. “E dentro desse quadrilátero imenso estão pipocando inúmeras invasões. É difícil controlar, pois é uma área muito grande. É uma corrida de gato e rato”. O local em questão é compreendido por nove Estados Brasileiros e abrange 60% do território do país.
Nenhum comentário:
Postar um comentário