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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Último grupo indígena isolado fora da Amazônia pode sumir.


Índio terena em Olinda (PE)

Chaidi - O último grupo indígena em isolamento voluntário que vive na América fora da Amazônia corre o risco de desaparecer se o governo do Paraguai não contiver o desmatamento e a invasão de suas terras dos criadores de gado, denunciaram as Nações Unidas. A tribo de ayoreo totobiegosode, que vive isolada no Paraguai, é como a última aldeia gaulesa resistindo ao avanço do Império Romano. Uma cultura a ponto de fazer outra desaparecer. Mas em vez de muralhas, os nativos estão rodeados de uma imensa floresta que os dá proteção e sustento há milhares de anos. E não tem que resistir às tropas militares, mas ao avanço das máquinas que destroem as árvores do território em que vivem antes da colonização espanhola. Em Chaidí, principal assentamento dos totobiegosode, eles já saíram de seu habitat natural: o interior das florestas virgens do Chaco paraguaio. Nesse monte de vegetação baixa, de cacto e jaguares, de pronunciadas secas e inundações, no departamento de Alto Paraguai, mais perto da Bolívia do que de Assunção, ainda se escondem pelo menos uma centena de nativos totobiegosode que nunca tiveram contato com a sociedade. Eles voluntariamente se recusam a viver com os "coñone", que significa "os que não entendem o mundo" em idioma ayoreo, termo dedicado aos estranhos que não vivem para cuidar da floresta. Seus irmãos denunciaram o que eles não estão em condições de fazer: o desaparecimento de todo um ecossistema sob as máquinas das empresas criadoras de gado. Pelo menos três fazendas, Yaguareté Porá, brasileira, Carlos Casado S.A., de capital espanhol, e a paraguaia Itapotí possuem os títulos de propriedade de boa parte das quase 2,8 milhões de hectares que, segundo os antropólogos, alguma vez integraram o território dos diferentes grupos ayoreo, que viviam entre o sul da Bolívia e a região chaquenha do Paraguai. "Só queremos proteger nossos irmãos, e, para isso, precisamos que o Estado compra e proteja nosso território ancestral", disse à Agência Efe Porai Picanerai, cacique dos totobiegosode de Chaidí. Picanerai vivia na floresta até que, em 1986, outros ayoreo armados enviados pela Missão Novas Tribos, um grupo evangélico americano com longa trajetória no Paraguai, chegou a sua aldeia, lembrou. "Matei duas pessoas para defender minha família", confessou.

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